Primeiramente gostaria de me justificar pela ausência. Estou de férias, de tudo, do mundo. Estive viajando neste final de ano e acabei ficando alguns dias no litoral, sem internet, motivo este da falta de postagem no blog.
E é justamente sobre esta viagem que gostaria de tratar neste post, ta certo que a primeira vista o título não condiz com o assunto que acabei de introduzir, mas chegarei lá em breve.
Dizem que todos nós ateus só somos até que nos deparamos com a morte, para tal afirmação, gostam de usar a metáfora de um avião caindo, talvez pela nossa ineficiência em pará-lo depois de apontado para baixo. Mas existem outras formas de se deparar de maneira inevitável, ou pelo menos aparentemente inevitável com a morte. A natureza possui as suas forças, se não vejamos os noticiários sobre deslizamentos e enchentes. Mas a natureza possui algumas outras forças não tão macabras mas ainda sim eficientes no artifício de extinguir uma vida. Estou falando da corrente marítima.
Na minha última viagem ao litoral eu tinha apenas 11 anos e uma mãe muito zelosa que protegeu-me dos perigos do mar, mas nesta não foi bem assim. Num momento de descuido e por total inexperiência deste mineiro que vos escreve fomos, 4 amigos e eu tragados mar a dentro por uma dessas correntes marítimas e por mais que nadassemos, coisa que faço muito bem, era impossível chegar até a parte seca da praia. Eu tinha comigo minha namorada, um amigo menor de idade, minha cunhada e seu namorado, a nossa frente um posto de salva vidas e em mim a responsabilidade de tirá-los dali a salvos.
Tomado da necessidade de sobreviver, por instinto e senso de responsabilidade com os que estavam comigo, nadei até a exaustão, tomei cachotes a torto e a direito, bebi muita agua salgada, mas consegui chegar perto o suficiente dos salva vidas para que me ouvissem. Em nenhum momento pensei em deus, nem me castigando nem para vir ao meu resgate, pensei somente na necessidade de sobreviver. Parei para pensar nisso depois que vomitei a água do mar. Ao contrário dos comentários “foi deus que deu livramento pra vocês” eu não havia pensado em deus em nenhum momento, somente na deficiência humana em ouvir daquela distância e na nossa fraqueza mediante tamanha força das águas.
Pode que este meu depoimento não desminta o já desgastado teorema do avião dos ateus, mas me serviu de lição. Vou prestar mais atenção nas placas quando for a praia e realmente, só que pode nos salvar numa hora dessas são os salva-vidas.



























